Com a primeira edição da Web Summit em Lisboa como prenúncio de algo maior que pode (re)definir a imagem e posicionamento de Portugal a nível internacional, agarramos a oportunidade proporcionada no âmbito da iniciativa Women in Tech e rumamos ao centro do admirável mundo novo na visão de alguns dos mais influentes agentes tecnológicos (e não só).

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Foto: @Air Design Studio / Ana Isabel Ramos

Tendo como ponto de partida uma agenda impossível de tão compacta, houve necessidade de redefinir expectativas: a Web Summit é um fórum de inspiração, ideias, descoberta e validação de tendências, que deixa à responsabilidade e disponibilidade de cada participante definir a sua própria agenda e aprofundar os temas e contactos de acordo com os seus interesses individuais.

Neste enquadramento, os kilómetros percorridos entre pavilhões – entre sessões com oradores mais ou menos inspiradores, descoberta de startups e ideias, encontros e novos contactos – permitiram solidificar algumas ideias-chave:

  1. O futuro passará por mais tecnologia para nos libertar da tecnologia: o paradoxo aparente, transversal às várias “talks” acerca do futuro do trabalho e das sociedades, prevê um intensificar da tecnologia e desenvolvimento tecnológico, com incidência na inteligência artificial e o impacto que terá ao permitir que a maior parte do trabalho e tarefas seja levado a cabo por máquinas e que as pessoas consigam ter mais tempo livre e uma melhor qualidade de vida. Como consequências, no médio/longo-prazo, espera-se que i. as pessoas se dediquem a papéis de foro empreendedor e criativo, gerendo novas ideias, novos produtos e serviços; e que, por outro lado, ii. assumindo a existência (utópica?) de um rendimento universal, as pessoas se dediquem a explorar novos estilos de vida e novos mundos.
  2. O empreendedorismo e as startups estão na moda: não é em nenhuma instância uma novidade mas consolida o momentum que temos vindo a viver nos últimos anos; um fervilhar de ideias, novos produtos, novos serviços, e um desenvolver acelerado de todo um eco-sistema em torno desta nova dinâmica. Motivo para alguma reflexão:
    1. a mudança de mentalidades que vamos observando, nomeadamente uma menor aversão ao risco, possibilitada, talvez pela “facilidade” em obter financiamento e pelo ritmo de inovação/mudança que caracteriza economias e sociedades;
    2. uma certa ingenuidade na forma como os projetos são geridos e/ou apresentados – muitas ideias e projetos com muito valor, mas também alguns pouco consolidados para além do produto ou serviço – nota-se uma necessidade de competências mais abrangentes ao nível de gestão e marketing, sendo que uma parte substancial de novos negócios/ideias se consubstancia essencialmente em conhecimento e valências técnicas fortes mas não ao nível de gestão.
  3. A responsabilidade da iniciativa privada e da sociedade civil na construção de um futuro mais positivo: potenciada pelo rescaldo das eleições norte-americanas, uma das ideias que sobressaiu ao longo do 2º dia foi a necessidade de se tornar mais consequente o papel de entidades privadas, não-governamentais e da sociedade civil de se assumirem como promotores de relações internacionais, promovendo a colaboração a níveis mais profundos e, simultaneamente, funcionando como controlo às ações e posições dos governos.

Numa perspetiva mais local, mas tendo como contraponto o papel e posição a nível global, é de destacar o sentimento generalizado do potencial da Web Summit para Portugal, constituindo uma oportunidade para posicionarmos o país como um hub tecnológico, impulsionando iniciativa nacional e atraindo internacional. As iniciativas e programas foram sendo anunciadas no âmbito da Web Summit e as que nos últimos tempos se têm vindo a intensificar, mostram-nos que existe a vontade real de se concretizar e consolidar esse posicionamento numa vantagem competitiva não apenas para Lisboa mas para Portugal como um todo (StartupPortugal ou Scaleup Porto – com o seu Porto Start & Scale Guide) e, esperamos, consubstanciada numa visão e estratégias de médio e longo-prazo.

Ao longo de 3 anos, pelo menos, o tema continuará bem presente.